Tudo é Gay no Brasil? 65 Verdades Hilárias e Sinceras Sobre Ser Viado

Do Grindr à praia, da Madonna à Anitta: um dossiê sincero, sarcástico e real sobre o comportamento gay no Brasil

A internet é mesmo esse lixão iluminado onde a gente cava e, vez ou outra, encontra uma pepita de ouro (ou uma rola gostosa, depende da sorte e do aplicativo). E foi garimpando nesse vale de memes, tretas e fotos de dog pra adoção, que apareceu o francês Olivier Teboul jogando na roda suas observações antropológicas sobre o Brasil — mais especificamente sobre o nosso fenômeno folclórico favorito: o gay brasileiro™.

Viado brasileiro em sua forma mais pura: carão, glitter, camisa xadrez e uma dose cavalar de ironia na ponta da língua.
Viado brasileiro em sua forma mais pura: carão, glitter, camisa xadrez e uma dose cavalar de ironia na ponta da língua.

Pois bem, a partir da pérola que é o item 4 da lista de Olivier — que basicamente nos informa que no Brasil tudo é viado, do chá de camomila ao torcedor do São Paulo — decidimos aqui, nos nossos tamancos de acrílico e com as unhas bem feitas, fazer uma homenagem, ou melhor, um dossiê 100% purpurinado do “ser viado” no Brasil.

Afinal, beber vinho é gay. Não gostar de futebol é gay. Ser gaúcho, francês, são-paulino ou se preocupar com o look: gay. Até não falar que algo é gay é… gay. E não adianta reclamar: viado é diagnóstico cultural, não escolha sexual.


1. Gay no Brasil é homossexual pra família, gay pros amigos e viado pro resto. Até o motoboy que entrega o lube já chama assim: “entrega pro viado da 303”.

2. Gay por aqui chama a Madonna de múmia, a Gaga de xerox da múmia, a Christina de flopada, a Adele de gorda e a Britney de muda. Mas chora mais que na final da Copa se perder o show de alguma.

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3. Dizer que odeia futebol é nível básico de recalque. É só trauma da infância quando a bicha queria jogar com as meninas na queimada e o tio gritava “isso é coisa de menina, moleque!”.

4. Gay no Brasil lava a mão olhando pros lados como quem esconde um vibrador na mochila no meio da aula de matemática. Tensão pura.

5. “Nunca fiz isso antes”, “tem tempo que não faço” e “é só porque você é especial” são os mandamentos da enrolação erótica gay tupiniquim.

6. Politizado até a página dois, mas acha travesti nojenta, transexual problemática, bi confuso e bicha afeminada uma vergonha nacional. Parabéns pela hipocrisia, mana.

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7. Passar delineador é demais, mas sair rebocado de base até o suvaco é aceito. O viado brasileiro tem limites estéticos bem… seletivos.

8. Traduzindo o dialeto gayzístico BR:

  • “Discreto”: pintosa com vergonha

  • “100% ativo”: não beija pra não brochar

  • “Ativo”: deu na segunda vez

  • “Ativo liberal”: dá na primeira

  • “Versátil”: aceita até bukkake em horário comercial

9. São Paulo é a Nova York do gay BR. Buenos Aires? A Paris do popper.

10. Andrew Christian e Aussiebum são os brasões da monarquia gay. Por isso o gayzão não senta na praia: quer mostrar o brasão e o rego.

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11. Foto da academia no Instagram, peito inflado, veia saltando e a legenda: #hjotreinofoipuxado. Quase uma ode à musculação homoerótica.

12. Bebe até cair antes da boate e passa três horas com um drink rosa na mão dizendo: “só tomei esse e fiquei loucona!”. É mística alquímica da balada.

13. Ama Björk… mas só se joga mesmo é quando toca MC Anitta. A realidade e o sonho dançando juntos.

14. Todo gay BR acha que vai “converter o hétero”. Às vezes com só uma latinha de Skol Beats. Spoiler: funciona.

15. Cita Clarice Lispector com a certeza de que ela disse mesmo:

“Viado é um estado de espírito e pau é destino.”
(Nunca disse. Mas já virou mantra.)

17. O glossário básico da comunicação gay:

  • “Oi, blz?” = Posso te chupar?

  • “Tô de bob” = Já tô pronto, vem agora

  • “Pintou um imprevisto” = Arrumei outro passivo com a bunda mais lisa

  • “Gosto de homem” = Gosto de pau mesmo

18. Reclama que ninguém quer namoro sério, mas só procura namorado em darkroom ou Grindr às 3h da manhã num banheiro químico.

19. Gay no Brasil curte o que quiser, mas necão odara é consenso nacional. Necão, ninguém rejeita.

20. Começa a frase em português, termina in English. E os cultos, claro, finalizam en français.

21. Marco Feliciano? Representa os gays do Brasil tanto quanto a Sandy representa o pornô.

22. Camisa xadrez é o novo uniforme. Todo rolê gay parece uma quadrilha fora de época.

23. Faz carão até às 4h da manhã. Depois disso, vira a Ofélia desabada do apocalipse.

24. Fingiam que odiavam brincar de Barbie com a irmã. E hoje fazem a mesma coisa com a Drag Queen de estimação.

25. Se não é artista, é cabeleireiro. Se não é estilista, é DJ. Se não é nada disso, diz que é consultor criativo — que é só outro nome pra desempregado com look.

26. Todo gay no Brasil tem ou já teve uma página “da depressão”. Hoje é “Gay Passivo da Depressão com Filtro Valencia”.

27. Conhece musical? Foi por Glee, sim. E tá tudo bem.

28. “Tô sem tempo” = academia, praia, boate, trepa, repete.

29. #Gay #No #Brasil #Usa #Hashtag #Como #Quem #Toma #Rivotril

30. Novela mexicana dublada é patrimônio gay nacional. “Maria do Bairro” com sotaque carioca? Obra-prima.

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31. Gay no Brasil não morre, vira glitter. E pega alguém no velório.

32. Encostar a mão no peito e dizer “ai, amiga…” é o gesto oficial do SUS emocional viado.

33. Mil fotos sem camisa. Legenda: “dia frio, mas o treino não para”. Uhum.

34. Foto no espelho fazendo careta. Porque ser bicha também é ser boba.

35. iPhone branco. Porque a estética do luxo começa pelo celular.

36. Estuda coreografia da Beyoncé como se valesse vaga na USP. Quadradinho de 8 é Enem gay.

37. Lua de Cristal. Sem comentários. Só reverência.

38. Escrever com sílabas separadas é arte. Geeeeente, tô CHO-CA-DAAAAAA!

39. Viado chama viado de viado pra exorcizar o viado da ofensa. Tá entendendo? Nem a gente. Mas funciona.

40. Gay malha bunda. Hétero malha braço. Resultado: hétero parece funil, gay parece desejo.

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41. Vai pra Parada pela piroca e trio. Depois mete o dedo na cara dizendo que “perdeu o sentido”. Só não limpa o canto da boca…

42. Cantora é tratada como time. E vilã de novela, como ídolo de religião.

43. Igreja inclusiva virou necessidade. Porque Deus ama todos, mas o pastor só ama dízimo e boy magro.

44. P comprido? Não serve. O gay quer roupa da seção infantil. Porque precisa marcar até a alma.

45. Indica a foda-boa pros amigos depois que já cansou. Solidariedade seletiva.

46. Fofoqueiro nível hard. Fofoca é a ginástica olímpica do viado.

47. O boy da amiga é o objetivo da missão secreta. E quando consegue, ainda diz: “Ai, foi sem querer”.

48. “Já volto” = Nunca mais. Tô dando no Uber.

49. Qualquer canto escuro é darkroom. E depois ainda dizem que foi só um beijo.

50. Gay desempregado é artista. Sempre. Nem que seja só de improviso no Grindr.

51. Ser professor de inglês no Brasil é mais gay que brunch com mimosa.

52. Cabelo só no topo da cabeça, com as laterais raspadas. O resto é só gel, suor e vaidade.

53. Gay coleciona coisa. De camisinha de sabores bizarros a action figure de anime. E homem. Coleção de homem.

54. Normatividade é estética. Passivo depila, ativo deixa a barba. Ninguém sabe por quê. Só segue.

55. Tudo é ÃO. PassivÃO, bundÃO, putÃO. Viado aqui é sempre hiper.

56. Evento da Preta Gil é obrigação gay federal.

57. Daniela Mercury virou a Lady Gaga do axé. E ninguém mais lembra da Ivete. #coitada

58. Claudia Leitte e Joelma são as vilãs da Disney do gay nacional. Mas sem talento pra vilania fashion.

59. Gay é nerd, sim! De Cavaleiros do Zodíaco a Sailor Moon, com cosplay no armário e popper na mochila.

60. Sem KY? Vai de cuspe. E finge que é fetiche.

61. Escolhe o celular já pensando nas capinhas. Tem que combinar com o look de sábado.

62. Valesca Popozuda é filósofa. Frases como “Beijinho no ombro” são quase literatura sapiencial.

63. Sai do armário achando que é bomba… e todo mundo já sabia desde o dia que ele corrigiu a pronúncia de “Givenchy”.

64. Resgata cultura com glitter. Gretchen, Rouge, anos 80. Tudo vira ícone cult gay.

65. Gay no Brasil adora classificar:

  • HSH: homem que finge que não é gay

  • Homossexual: homem que transa e finge que não curte

  • Gay: homem que transa, curte, assume e usa cropped

  • Hétero-passivo: aquele que dá e finge que foi só hoje


E se tudo isso parecer exagero… é porque você ainda não foi na The Week numa sexta de feriado com popper no bolso e short de lycra branco.

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