Mulher, o caminho para a pobreza e a desgraça

O manual definitivo pra quem acha que misoginia é hobby de domingo

Vamos lá. Em pleno século 21, com carro voando (mentira, ainda não), inteligência artificial escrevendo texto mais rápido que fofoqueira em grupo de WhatsApp, e o povo ainda consegue lançar um livro com a delicadeza e finesse de um coice de mula embriagada. E o título? Mulher, o caminho para a pobreza e a desgraça. É isso mesmo que você leu. Parabéns, você desbloqueou o modo “quem autorizou essa bizarrice?”.

Vamos analisar essa joia literária como se estivéssemos num clube do livro do submundo, onde a misoginia não é combatida, mas editada, diagramada e vendida em capa dura.

Capa polêmica do livro “Mulher, o caminho para a pobreza e a desgraça” — mas calma, é só uma montagem provocativa!
Capa polêmica do livro “Mulher, o caminho para a pobreza e a desgraça” — mas calma, é só uma montagem provocativa!

A premissa: um dedo na ferida e os dois pés na falta de noção

O autor, muito elegante de terno (provavelmente pra parecer mais sério enquanto cospe sandices), propõe uma teoria que faria Freud levantar do túmulo e pedir um cigarro: a de que o elo perdido entre a pobreza, a desgraça e o apocalipse zumbi é… a mulher. Sim, você, mulher leitora, que ousou querer direitos, educação, orgasmo, liberdade, tá aí ferrando o mundo com suas ideias moderninhas de que casamento não é prisão perpétua e que cuidar de homem adulto não é vocação divina.

Segundo a sinopse — um poema trágico digno de ser declamado por um bêbado num bar de rodoviária —, o livro é uma “obra oportuna” (claro, porque misoginia nunca sai de moda, né?) e trata da “autoajuda dos valores morais”, o que é um jeito chique de dizer: culpar mulher por tudo que não presta e ainda usar palavras difíceis pra parecer estudo acadêmico.


Argumentos de tirar o fôlego (de tanto rir ou passar raiva)

O autor, um verdadeiro coach das cavernas, alega que a ruína das famílias, dos sonhos, da conta bancária e, quiçá, da camada de ozônio, passa diretamente pelo envolvimento com o gênero feminino. E não é por traição, briga ou incompatibilidade de signos. É porque, veja bem, a mulher não segue mais os “valores morais e sociais”. Traduzindo: parou de ser submissa, calada, dependente e feliz com migalhas emocionais.

Sem titulo 1

A educação de berço, segundo ele, virou lixo reciclável. E quem jogou no container? As mulheres. O sujeito ignora umas dez mil variáveis socioeconômicas, desigualdade estrutural, desemprego, políticas públicas ineficientes… tudo isso é detalhe, porque o grande vilão do PIB nacional é o batom vermelho da mulher empoderada.


Design de capa: o crime visual que acompanha o intelectual

A capa é um espetáculo à parte. O autor sentado com pose de pensador moderno (só que não), apoiado numa garrafa azul — que pode ser perfume, champanhe ou a essência da arrogância destilada. O terno alinhado tenta passar seriedade, mas o sorriso sugere que ele mesmo não acredita muito no que escreveu. O fundo branco imaculado parece o único elemento limpo da história toda.

E o nome dele em cima, em letras azuis celestiais, como se fosse o novo Messias da literatura reacionária. O detalhe da logomarca no canto dá aquele toque amador-profissional que só os melhores delírios editoriais conseguem entregar.


Edição, diagramação e um toque de fanfic do apocalipse

A contracapa é ainda mais deliciosa: uma tentativa patética de parecer filosófica, mas que soa como aquelas mensagens de corrente que a sua tia manda no grupo da família. “É uma obra moderna de autoajuda dos valores morais…” – olha, se isso aí é autoajuda, o DSM-V precisa abrir uma categoria nova só pra esse tipo de loucura.

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Ele ainda diz que o livro oferece um “modo de vida que traria o anormal da modernidade de volta à normalidade”. Tradução: mulher, volte pra cozinha, desliga esse Wi-Fi, cancela a terapia e aprende a abaixar a cabeça sem doer o pescoço.


Conclusão (ou: o plot twist que ninguém pediu)

Agora, se você leu até aqui com o olho tremendo e a alma pedindo um banho de sal grosso, respira: isso é uma montagem.

O verdadeiro título do livro é:
Segunda Mulher: o Caminho para a Pobreza e a Desgraça, de Roque Ladislau Capeio.

E se, por algum motivo obscuro do destino (ou puro masoquismo literário), você quiser conferir essa pérola com os próprios olhos, é só clicar no link e comprar!

Boa sorte. E leve água benta.

Carla Canalha

Carla Canalha é uma mulher empoderada, destemida e sem papas na língua. No Canalhas de Salto, ela aborda de tudo um pouco: dicas de relacionamento, saúde e bem-estar, tendências de entretenimento e, claro, as mais picantes orientações sobre sexualidade – porque, quando o assunto é sexo, Carla não foge da conversa. Com um olhar moderno e sem julgamentos, ela guia seus leitores e leitoras por temas que despertam autoconfiança, exploram novas possibilidades e ajudam a viver a vida de forma plena e descomplicada. Sua missão? Inspirar, informar e deixar claro que o prazer é uma parte essencial do bem-estar.

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